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25/08/2026 | Categoria: Têxtil
Resíduo têxtil também é matéria-prima: a circularidade que está mudando a indústria
Capas de fardo, estopas e resíduos gerados no processo de fiação, antes tratados como perda, ganham espaço como insumo em iniciativas que reduzem descarte e repensam a cadeia têxtil.
O setor têxtil está entre os que mais geram resíduo na indústria, mas ainda é um dos que menos sabe o que fazer com ele. Segundo pesquisa do Sebrae de abril de 2023, o Brasil produz cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis por ano, mas apenas 20% desse volume é reciclado. O restante, mais de 130 mil toneladas, tem como destino lixões e aterros sanitários.
O tema também ganhou força regulatória fora do país. Desde janeiro de 2025, a União Europeia tornou obrigatória a coleta seletiva de resíduos têxteis em todos os Estados-Membros, dentro da revisão da Diretiva-Quadro de Resíduos do bloco. Em setembro do mesmo ano, uma nova diretiva europeia avançou ainda mais, instituindo a responsabilidade do produtor para têxteis e calçados, o que passa a exigir que empresas do setor financiem e organizem a gestão do fim de vida de seus produtos. A medida sinaliza uma tendência que deve pressionar cadeias produtivas ao redor do mundo, inclusive as que exportam para o mercado europeu.
É nesse cenário que a circularidade deixa de ser discurso e passa a ser processo. Capas de fardo, estopas e outros resíduos gerados durante a fiação, que em boa parte da indústria ainda são simplesmente descartados, podem ser reincorporados à produção como insumo, reduzindo tanto o volume de resíduos quanto a necessidade de extração de matéria-prima virgem. A Incofios, empresa de fiação de algodão com cinco plantas produtivas entre Santa Catarina e Mato Grosso, é um exemplo de empresa que estruturou esse reaproveitamento como parte da rotina produtiva: em 2025, reciclou ou reaproveitou 97,30% dos 1.512.799,16 quilos de resíduos gerados em suas unidades, uma redução de 24,7% no volume total gerado em relação ao ano anterior, com apenas 2,7% do total direcionado a aterros sanitários.
Para o diretor geral da empresa, Edson Augusto Schlogl, o reaproveitamento de resíduos não é uma meta pontual. "Isso faz parte da cultura da Incofios e da forma como entendemos nosso papel dentro do setor têxtil. Trabalhamos com uma metodologia de organização que garante destino correto para cada tipo de resíduo gerado na fiação, da capa de fardo até a embalagem que sai da fábrica. Quando esse cuidado vira rotina, o resultado aparece nos números", afirma.
Na Incofios, isso significa transformar o que antes era descarte em insumo com destino definido: parte dos resíduos do processo de fiação vira briquete usado como biocombustível em caldeiras, enquanto estopas limpas, material de varredura, sucatas e papelão seguem para reciclagem ou comercialização. A companhia também estendeu esse princípio à logística: em 2025, o volume de fios enviados de forma paletizada, em substituição às caixas de papelão, cresceu 31,34% em relação a 2024, o que evitou o uso de mais de 103 mil caixas e reduziu o consumo de mais de 108 mil quilos de papelão e 18,5 mil quilos de plástico.
O que o setor está testando
Fora da Incofios, outras frentes vêm sendo testadas pelo setor têxtil como um todo. Iniciativas de upcycling transformam retalhos e sobras em produtos de maior valor agregado, parcerias entre empresas e cooperativas de reaproveitamento dão destino a resíduos que uma fábrica isolada não consegue reincorporar sozinha, e programas de logística reversa junto a fornecedores e clientes ajudam a fechar o ciclo antes que o material chegue ao aterro. Nenhuma dessas estratégias substitui a outra, e é a combinação entre elas que vem permitindo a empresas do setor reduzir de forma consistente o volume que deixa a fábrica.
Enquanto a média nacional de reciclagem têxtil ainda gira em torno de 20%, empresas que já incorporaram a circularidade à operação mostram que reduzir resíduo não é incompatível com produzir em volume, é uma forma diferente de calcular o que sai da fábrica.
Sobre a Incofios Fundada em 2001, em Indaial (SC), a Incofios é uma fabricante brasileira de fios de algodão com cinco unidades produtivas distribuídas entre Santa Catarina e Mato Grosso, capacidade de produção de aproximadamente 3.100 toneladas de fio por mês e cerca de 690 colaboradores. A empresa possui certificações BCI (Better Cotton Initiative) e SouABR, que atestam práticas de rastreabilidade e sustentabilidade na cadeia do algodão.
Fonte: Presse Comunicação
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