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14/07/2026 | Categoria: Mercado
O que a indústria aprende ao ouvir quem está na ponta do negócio
Durante décadas, indústria e varejo seguiram caminhos complementares: de um lado, quem fabrica; do outro, quem vende. Mas algumas das informações mais valiosas sobre o comportamento do consumidor surgem no lugar mais simples possível: o balcão da loja.
É ali que aparecem mudanças nos hábitos de compra, novas demandas das famílias e tendências que, muitas vezes, levam mais tempo para chegar à indústria. Quando esse diálogo acontece de forma direta, toda a cadeia sai ganhando.
Essa é uma percepção que a empresária Marli Forlin, presidente do Grupo Marlan, indústria catarinense de moda infantil, vem reforçando nos últimos meses. Por meio do VOAR, iniciativa que promove encontros com lojistas de diferentes regiões do país, ela passou a identificar desafios que se repetem independentemente da cidade ou do tamanho da loja: adaptação ao digital, posicionamento de marca, produção de conteúdo e o equilíbrio entre a gestão do negócio e a vida pessoal. "Criamos o VOAR para levar conhecimento, mas percebemos que ele se consolidou quando compartilhar experiências passou a ser uma via de mão dupla. A cada encontro, aprendemos tanto quanto ensinamos", afirma Marli.
Segundo ela, ouvir quem está diariamente em contato com o consumidor final permite enxergar oportunidades que nem sempre são percebidas dentro da indústria. "Muitas soluções e necessidades aparecem primeiro na loja e só depois chegam à fábrica. Esse contato aproxima, gera aprendizado e ajuda a construir decisões mais conectadas à realidade do mercado", destaca.
Nos encontros, a trajetória da empresária costuma gerar identificação entre as participantes. Ao compartilhar desafios, decisões difíceis e aprendizados acumulados ao longo da construção de uma empresa, ela cria conexões com mulheres que vivem realidades semelhantes no varejo. Muitas relatam que chegaram aos encontros desmotivadas ou inseguras e saíram com novas perspectivas para seus negócios.
Tálita Forlin Rincaweski, especialista em branding e marketing, complementa os encontros com uma visão prática do varejo atual. Sua apresentação conecta tendências de consumo, experiência em loja, posicionamento de marca e integração entre o físico e o digital, traduzindo temas do mercado para a realidade das lojistas. "Muitas lojistas entendem a importância do digital, mas ainda têm dificuldade em transformar isso em prática no dia a dia. Nosso papel é mostrar caminhos aplicáveis à realidade de cada negócio", explica Tálita.
Os encontros do VOAR já passaram por estados como Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Santa Catarina, reunindo centenas de lojistas de moda infantil. Em comum, surgem desafios semelhantes: a adaptação ao digital, a necessidade de fortalecer marcas e o equilíbrio entre negócio e vida pessoal.
Fonte: Izabel Debatin
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